
Eu não vi o tempo passar tão depressa. Acho que os dias estão me roubando alguns minutos, mas quem sabe ele só esteja fazendo isso para a dor ir embora mais rápido? Eu não sei, mas seria injusta demais dizer que não.
A saudade incomoda sim, todos os dias na verdade, 365 dias, literalmente. Muito tempo, não?! E passou tão depressa… lembro-me como se fosse ontem, chegando da igreja e vendo as malas mais indesejáveis. As da minha prima, que não mora aqui. E o que significava ? Volta. Ela tinha voltado, por algum motivo que eu não gostaria de saber.
Minhas pernas amoleceram, meu chão estremeceu, e meus olhos se alagaram, mas eu nem sabia o motivo, eu só senti. Mesmo com tantas “dicas”, eu não queria acreditar. No instante da morte um vulto passou pela minha avó, e na igreja enquanto orava, pense no meu avô e não tive um pressentimento muito bom. E não era nada bom.
Meu avô havia morrido. Meu único avô. E sofreu tanto até chegar este momento, mas tanto, que por um lado até era um alívio [ só o lado dele ] . Só faltavam dois dias para o meu aniversário e eu não sabia o que fazer, não sabia se chorava, se gritava, ou saia andando pela rua. Decidi fazer tudo de uma vez. Fiquei igual uma louca, desacreditando em tudo e desejando ir com ele. Seria tão aliviador …
Mas eu não fui, não era minha hora. Deus estava ao meu lado secando minhas lágrimas junto com meus familiares. E no velório só ouviam choros, ou soluços. Ninguém se continha . Lembro-me que saí sozinha e consegui vê-lo, pela última vez, o seu espírito brilhou na minha frente. Eu já estava louca? Não, minha prima também viu. Que emoção… mas hoje faz 1 ano e me parece 1 minuto.
Deveria ser tão mais fácil se eu tivesse a doença da minha avó. Ela não sabe nada, não acredita. O auzheimer nessa hora foi bom para ela. Mas e nós? A família se desestruturou depois disso. Cada macaco no seu galho. Triste, não ?!
Mas eu ainda o amo, e graças a Deus tenho todas as lembranças na minha mente, e todo o amor no coração.
Pérsio Paranhos de Moraes, 15/05/2011